sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Relento
a evaporação dorida dos rios dessa poeira que acumulamos
nos pulsos, sem sabermos o poder de uma memória.
Assim caminhamos, onde a treva ocupa os ombros
e os pés perdem o sentido do chão e da viagem.
Cada rosto, um enigma de linhas.
Cada amor, um abismo nas mãos.
A palavra que erguemos, muralha de água que o vento
desfaz e expõe ao uso de tempo.
Faremos abrigos no relento de nós mesmos.
Haverá uma visão terrível quando olharmos a nossa própria nudez.
Virá então o fogo para acender um outro dia fundamental.
Vasco Gato
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Em falta...


Hoje, abro uma excepção, porque estou em grande falta com duas pessoas muito especiais... e quero desta forma homenageá-los visto que o não pude fazer na devida altura, e ambos merecem toda a minha amizade e atenção, por isso cá vai...
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
A busca
My life has had it’s share of troubles
And now I found a place to go
I’ve said goodbye to all my troubles’cause now
I’ve find my place to go
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Evolução
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
Antero de Quental
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Profecia
para o que vim.
Se logro ou verdade,
se filho amado ou rejeitado.
Mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
— e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue...
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto,
sempre,
que não posso recuar.
Hei-de ir contigo
bebendo fel, sorvendo pragas,
ultrajado e temido,
abandonado aos corvos,
com o pus dos bolores
e o fogo das lavas.
Hei-de assustar os rebanhos dos montes
ser bandoleiro de estradas.
— Negro fado, feia sina,
mas não sei trocar a minha sorte!
Não venham dizer-me
com frases adocicadas
(não venham que os não oiço)
que levo caminho errado,
que tenho os caminhos cerrados
à minha febre!
Hei-de gritar,
cair, sofrer
— eu sei.
Mas não quero ter outra lei,
outro fado, outro viver.
Não importa lá chegar...
O que eu quero é ir em frente
sem loas, ópios ou afagos
dos lábios que mentem.
É esta, não é outra, a minha crença.
Raios vos partam, vós que duvidais,
raios vos partam, cegos de nascença!
Fernando Namora
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O teu amor faz-me bem!
O teu amor faz-me muito bem!
Obrigada!
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Canção ao lado
Canção ao lado. - banda Deolinda
Desculpem todos os homens estudantes,
espíritos poetas, almas delicadas.
A falsidade do meu génio e das minhas palavras.
E é daí a lição que eu canto,
cada vida um espanto que é do bela graça,
mas eu só ambiciono arte de plantar batatas.
-Desculpem lá qualquer coisinha
mas não está cá quem canta o fado.
Se era pra ouvir a Deolinda,
entraram no sítio errado.
Nós estamos numa casa ali ao lado.
Andamos todos uma casa ao nosso lado.
Bem sei que há trolhas escritores,
de trato estucadores e serventes poetas;
e poetas que são verdadeiros pedreiros das letras.
E canta em arte genuína o pescador humilde,
a varina modesta;
e tanta vedeta devia dedicar-se à pesca.
[Refrão]
Por não fazer o que mais gosto
eu canto com desgosto, farto de aqui estar;
e algures sei que alguém mal disposto
ocupa o meu lugar.
Ninguém está bem com o que tem...
é sempre o que vem que nos vai valer;
porém quase sempre esse alguém não é quem deve ser.
[Refrão]
E é a mudar que vos proponho!
Não é um posso medonho em negras utopias;
é tão simples como mudarem de posto na telefonia.
Proponho que troquem convosco e acertem com a vida!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
A Voz que Nos Rasgou por Dentro
nos rasgou por dentro,
que trouxe consigo a chuva negra
do outono, que fugiu por
entre névoas e campos
devorados pela erva?
Esteve aqui — aqui dentro
de nós, como se sempre aqui
tivesse estado; e não a
ouvimos, como se não nos
falasse desde sempre,
aqui, dentro de nós.
E agora que a queremos ouvir,
como se a tivéssemos re-
conhecido outrora, onde está? A voz
que dança de noite, no inverno,
sem luz nem eco, enquanto
segura pela mão o fio
obscuro do horizonte.
Diz: "Não chores o que te espera,
nem desças já pela margem
do rio derradeiro. Respira,
numa breve inspiração, o cheiro
da resina, nos bosques, e
o sopro húmido dos versos."
Como se a ouvíssemos.
Nuno Júdice